Como pode a inteligência artificial potenciar os benefícios das terapias respiratórias domiciliárias?

Data de publicação
20/11/2025

Nos últimos anos, as terapias respiratórias domiciliárias tornaram-se fundamentais no tratamento das doenças respiratórias, pois permitem que doentes com diversas condições pulmonares recebam tratamento e monitorização nas suas próprias casas. Ao mesmo tempo, o rápido desenvolvimento tecnológico dos dispositivos e a incorporação da inteligência artificial (IA) na área das terapias respiratórias estão a possibilitar avanços no sentido de terapias mais personalizadas e eficientes.

Até então, dispúnhamos de um grande volume de informação fornecida pelas várias equipas de terapia respiratória, mas não tínhamos as ferramentas necessárias para a processar. Vários estudos concluem que a inteligência artificial pode recolher, analisar e interpretar estes dados clínicos. Através de algoritmos de aprendizagem automática, a IA é capaz de identificar padrões clínicos consistentes com o início da descompensação respiratória, detetar assincronias entre o doente e o ventilador mecânico e reconhecer o uso ineficaz de dispositivos terapêuticos.

Consequentemente, as principais linhas de aplicação da IA na área das terapias respiratórias domiciliárias estão focadas em:

  • Monitorização remota de dispositivos: os dados clínicos enviados pelos dispositivos atuais estão integrados em plataformas que permitem a monitorização contínua dos doentes por profissionais de saúde.
  • Personalização de tratamentos:
    • No caso dos doentes em CPAP, a utilização de monitorização remota, juntamente com modelos preditivos, permite a deteção precoce de doentes com baixa adesão, fugas excessivas no circuito ou índice de apneia residual inadequado. Com esta informação, é possível desenvolver intervenções personalizadas que ajudam a corrigir estes problemas e a otimizar a eficácia do tratamento.
    • Em doentes em ventilação mecânica, os algoritmos de aprendizagem automática facilitam a deteção precoce de anomalias no fluxo respiratório, fugas elevadas ou assincronias entre o doente e o ventilador, e propõem ajustes automáticos dos parâmetros para melhorar a adaptação ao dispositivo.
  • Prevenção de exacerbações de doenças respiratórias: Através da monitorização contínua de parâmetros fisiológicos específicos, os sistemas de inteligência artificial podem prever exacerbações respiratórias e alertar os profissionais de saúde e/ou o doente antes que evoluam para um quadro mais grave, reduzindo, assim, as hospitalizações e melhorando a qualidade de vida dos doentes.

Embora estes avanços representem uma revolução nas terapias respiratórias tal como as conhecemos, os estudos consultados concordam que certas barreiras ainda têm de ser ultrapassadas:

  • São necessárias mais pesquisas, com amostras populacionais maiores e mais diversas, para validar adequadamente os algoritmos.
  • Ao utilizar um grande volume de dados pessoais, é essencial uma encriptação adequada para garantir a conformidade com o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD).
  • É crucial que os fabricantes de diferentes dispositivos estabeleçam critérios comuns para a configuração de parâmetros programáveis e garantam a interoperabilidade e a validade dos algoritmos em equipamentos de diferentes fabricantes.

Por fim, podemos afirmar que a inteligência artificial tem vindo a ser progressivamente incorporada nas terapias respiratórias, permitindo uma melhor utilização dos dados clínicos existentes. No entanto, a sua evolução requer um desenvolvimento adicional para garantir a fiabilidade, a validade e a aplicabilidade dos algoritmos a nível populacional.

 

Escrito por Silvia Arribas, enfermeira na OXIGEN salud (Enfermeira registada nº 7230 pela Ordem dos Enfermeiros de Valladolid).

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