Proteger a saúde pulmonar: riscos do vaping e estratégias para deixar de fumar

Data de publicação
11/01/2026

O início um novo ano convida à reflexão sobre a saúde e a adoção de mudanças que promovam uma melhor qualidade de vida. Entre as resoluções mais frequentes está deixar de fumar, uma decisão fundamental para a proteção do sistema respiratório

Neste contexto, os cigarros eletrónicos e os dispositivos eletrónicos vapes popularizaram-se como alternativa ao tabaco tradicional, senso percecionados como uma opção menos perjudicial ou como um auxiliar para deixar de fumar. 

No entanto, do ponto de vista clínico, é importante analisar mais aprofundadamente o impacto do vaping e se pode realmente ser considerado uma opção ou alternativa ao tabaco convencional

Quais os efeitos do vaping nos pulmões?

Os dispositivos de vaporização funcionam aquecendo um líquido que se transforma num aerossol inalável. Embora não haja combustão, este aerossol contém nicotina na maioria dos casos, bem como partículas ultrafinas e compostos químicos que podem atingir diferentes zonas dos pulmões.  

As evidências científicas demonstrarem que a inalação repetida destas substâncias pode causar inflamação das vias aéreas e comprometimiento da função pulmonar. Mesmo em jovens sem doenças pré-existentes, o uso de cigarros eletrónicos tem sido associado e sintomas como tosse persistente, falta de ar, irritação brônquica e maior suscetibilidade a infeções respiratórias. 

Riscos respiratórios a médio e longo prazo

Diversos estudos populacionais europeus observaram que o uso de cigarros eletrónicos está associado a um risco aumentado de desenvolvimento de doenças respiratórias, como a asma, a bronquite crónica e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). Este risco é especialmente relevante para os ex-fumadores, dado que, em muitos casos, o uso de cigarros eletrónicos não substitui completamente o tabagismo, mas tonar-se uma combinação que prolonga a exposição pulmonar a substâncias nocivas. 

Nos últimos anos, fou também descrita uma lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrónicos, conhecida como EVALI (Lesão Pulmonar Associada ao Uso de Cigarros Eletrónicos), que pode causar dificuldades respiratórias graves e exigir hospitalização e até mesmo suporte respiratório. Embora não seja uma condição comum, sublinha que os efeitos do uso de cigarros eletrónicos nos pulmões podem ser irreversíveis. 

Cigarros eletrónicos, nicotina e dependência

Outro aspeto crucial é a presença de nicotina, uma substância altamente viciante que mantém a dependência e dificulta o abandono total do tabagismo. Embora alguns cigarros eletrónicos sejam utilizados com a intenção de deixar de fumar, manter a dependência de nicotina significa continuar a expor o organismo a efeitos negativos, tanto respiratórios como cardiovasculares. 

A ausência de nicotina não elimina os riscos e perigos para a saúde. O aerossol gerado por estes líquidos, mesmo sem nicotina, contém partículas de propilenoglicol, glicerina vegeral e aromatizantes. Estas partículas são muito pequenas e podem atingir os alvéolos pulmonares, onde se realizam as trocas gasosas, podendo causar:

  • Inflamação crónica das vias respiratórias. 
  • Irritação e maior suscetibilidade a infeções respiratórias. 

Estudos laboratoriais demostram que células pulmonares expostas ao aerossol do vaping apresentam stress oxidativo e danos celulares, mesmo na ausência de nicotina.

Muitos líquidos para cigarros eletrónicos sem nicotina contêm aromas e aditivos que, quando aquecidos, podem transformar-se em compostos tóxicos:

  • O diacetil é um aditivo com sabor a manteiga que já foi utilizado nas pipocas. O estômago consegue metabolizá-lo, mas os pulmões não. A inalação regular pode causar bronquiolite obliterante, também conhecida como pulmão de pipoca. Trata-se de uma doença pulmonar grave, assim designada por ter sido detetada pela primeira vez em trabalhadores de fábricas de pipocas que inalavem diariamente esta substância. 
Pulmão sudavel. 
Fonte: efesalud 
Pulmão de pipoca. 
Fonte: Pubmed
  • Aldeídos (como o formaldeído e a acroleína), que irritam os brônquios e podem contribuir para a inflamação crónica. 
  • Metais pesados (níquel, crómio, chumbo) provenientes da resistência do vaporizador, que são inalados juntamente com o vapor. 

Mesmo sem nicotina, estes componentes prejudicam a função respiratória e aumentam a inflamação pulmonar. 

Do ponto de vista da saúde, deixar de fumar deve significar caminhar para uma vida livre de produtos inalados potencialmente nocivos, e não simplesmente substituir uma forma de consumo por outra.

Jovens: un segmento sensível aos produtos de vaporização

Muitos jovens consideram estes dispositivos inofensivos ou uma alternativa menos prejudicial ao tabaco. A realidade é que as evidências científicas indicam que acarretam riscos significativos para o desenvolvimento físico e para a saúde pulmonar. 

Durante a adolescência, os pulmões ainda estão em desenvolvimento, e a inalação repetida de partículas ultrafinas e compostos químicos pode causar inflamação crónica, irritação das vias respiratórias e aumentar a vulnerabilidade a doenças respiratórias na idade adulta. Além disso, os líquidos que contêm nicotina podem afetar o desenvolvimento cerebral, especialmente em áreas relacionadas com a atenção, a memória e o controlo dos impulsos. 

Cuidar da saúde respiratória: uma decisão a curto e longo prazo

A OXIGEN salud sabe que proteger os pulmões requer apoio profissional. É por isso que oferece um plano abrangente para deixar de fumar, com aconselhamento personalizado, acompanhamento médico e apoio contínuo, desenvolvido para orientar cada pessoa durante todo o processo de desabituaçao tabágica

Começar o ano a cuidar da sua respiração é um investimento na sua saúde. Com este apoio e estratégias clínicas, deixar de fumar, reduzir os riscos respiratórios e melhorar a sua qualidade de vida é totalmente possivel. 

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