Data de publicação
20/11/2025
O CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) é o tratamento mais utilizado e eficaz para os doentes com Apneia Obstrutiva do Sono (AOS). No entanto, apesar de sua eficàcia clínica comprovada, a adesão ao tratamento apresenta taxas de abandono e de utilização indevida muito elevadas, podendo atingir cerca de 40%. A afirmação foi feta pelo Dr. Néstor Montesdeoca, chefe associado do Departamento de Cirurgia Maxilo-Facial do Hospital La Luz e especialista em Medicina do Sono da Sociedade Europeia de Investigação do Sono.
Este dispositivo, que é o principal tratamento para a AOS, é utilizado durante a noite. Um gerador de fluxo fornece pressão positiva nas vias aéreas através de uma máscara, prevenindo o colapso das vias aéreas superiores durante o sono.
De acordo com Silvia Arribas, enfermeira da OXIGEN salud, os principais motivos pelos quais os doentes descontinuam este tratamento são:
- Como funciona o CPAP: no inicio do tratamento, muitos doentes sentem-se desconfortáveis tanto com o dispositivo como com a máscara, o que pode, por vezes, causar uma sensação de claustrofobia. Além disso, se a máscara não for ajustada corretamente, podem ocorrer fugas, intrerrompendo o tratamento. Além disso, embora os dispositivos estejam cada vez mais silenciosos, alguns doentes referem acordar durante a noite devido ao ruido do CPAP.
- Efeitos secundários do tratamento: durante as primeiras semanas de tratamento podem surgir alguns efeitos secundários, como secura das mucosas, irritação da pele, conjuntivite, congestão nasal e aerofagia, entre outros. Estas situações levam também os doentes a abandonar o tratamento.
- Falta de melhoria: quando os doentes não observam melhorias na sua qualidade de vida, muitas vezes ficam desmotivados e abandonam o tratamento.
- Falta de informação e acompanhamento médico: doentes referem que não receberam muita informação sobre a doença, a importância de seguir o tratamento e as consequências a longo prazo de não adesão. Outros doentes referem sentir-se sozinhos durante o tratamento por não terem uma supervisão rigorosa do médico devido à carga de trabalho excessiva.
A interrupção ou o uso indevido da terapêutica pode ter consequências a longo prazo para todos os doentes que sofrem de apneia obstrutiva do sono. As principais consequências incluem:
- Aumento do risco de hipertensão arterial, doenças cardíacas e acidente vascular cerebral.
- A falta de sono reparador ao longo do tempo pode levar à ansiedade, depressão e dificultade em controlar as emoções. A sonolência diurna excessiva pode também limitar a concentração, a memória e a tomada de dicisões, levando a uma disminuição do desempenho profissional e pessoal.
- Aumento de peso e obesidade devido a alterações hormonais que regulam o apetite e, consequentemente, aumento do risco de diabetes tipo 2.
- Aumento do risco de acidentes de trânsito ou de trabalho devido à diminuição das competências executivas.
A OXIGEN salud aposta num modelo centrado na educação do doente, no acompanhamento contínuo e na tecnología como froma de melhorar os índices de aesão.
No momento da entrega do dispositivo ao paciente, a OXIGEN salud aproveita a oportunidade para fornecer a educação adequada, fornecendo todas as informações relevantes sobre a doença, os benefícios da adesão adequada ao tratamento, como utilizar corretamente o CPAP e como limpar adequadamente os diversos consumíveis (máscara, tubo, humidificador, etc.).
Além disso, a empresa disponibiliza aos seus pacientes um serviço de telemonitorização. Graças a esta ferramenta, a empresa pode ter dados atualizados sobre o tratamento que os seus doentes estão a receber e também detetar, precocemente, possíveis problemas relacionados como fugas, Índice de Apneia-Hipopneia (IAH) elevado ou uso insuficiente do dispositivo. De acordo com os dados da OXIGEN salud de 2024, 70% dos doentes utilizam a telemonitorição e, desta percentagem, 80% aderem a esta por mais de 4 horas, o tempo mínimo necessário para considerar a terapêutica eficaz.
Por fim, a OXIGEN Salud realiza check-ups periódicos. No início do tratamento, os check-ups domiciliários são muito frequentes, ocorrendo uma vez por mês. Posteriormente, os check-ups são realizados de três em três meses e, posteriormente, de seis em seis meses. Durante estas consultas, a equipa de saúde é responsável por verificar o correto funcionamento do CPAP, o estado da máscara, verificar durante quanto tempo e com que frequência o paciente utiliza o dispositivo e detetar o aparecimento de possíveis efeitos secundários.
Concluindo, 80% dos doentes da OXIGEN Salud continuam o tratamento com CPAP após o primeiro ano. Isto demonstra que se os doentes seguirem um conjunto de diretrizes para se adaptarem à terapêutica, a interrupção do CPAP pode tornar-se uma prática menor e reverter dados que preocupam toda a comunidade da medicina do sono.
Fontes consultadas: Silvia Arribas, enfermeira da OXIGEN Salud (inscrita sob o nº 7230 na Escola Oficial de Enfermagem de Valladolid).